Chef Paul Bocuse

Para os apaixonados pela historia da Gastronomia...

Fonte: Doural Gourmet Vale um click!

Era uma vez um mundo sem Nigellas, Jamie Olivers e Ferran Adriàs. Sem inúmeros livros de receitas, programas de TV e reservas feitas com um ano de antecedência. Um mundo onde os chefs ficavam restritos aos calores e correrias de suas cozinhas, inspecionando os pratos preparados por suas equipes, regidas como orquestras, e criando obras-primas num quase anonimato.

Paul Bocuse

O divisor de águas entre aquela época e os dias de hoje atende pelo nome de Paul Bocuse. Aos 81 anos – 65 dedicados à gastronomia – é considerado o primeiro chef midiático, “Cozinheiro do Século” pelo guia Gault & Millau, embaixador da cozinha francesa no exterior e globetrotter de carteirinha. Seu principal restaurante, L‘Auberge du Pont de Collonges, mantém há mais de 40 anos três estrelas do Michelin. Ele também é dono de uma cadeia de brasseries (quatro no total, cada uma praticando a gastronomia típica das regiões Norte, Sul, Leste e Oeste da França) e um restaurante em plena Disney World, no Pavilhão Francês do Epcot Center.

O incansável octogenário - que já publicou um sem-número de livros com suas receitas e técnicas - também encontra tempo para presidir honorariamente o Institut Bocuse (escola que forma profissionais em hotelaria e restauração em Lyon) e comandar o Bocuse d’Or, a "Copa do Mundo dos Chefs de Cozinha", criada por ele em 1987 e que acontece a cada dois anos.

A incrível trajetória de Bocuse começa antes mesmo de seu nascimento, em 11 de fevereiro de 1926, em Collonges-au-Mont-d’Or, na região do Rhône-Alpes. A gastronomia parecia ser seu destino e de toda a sua família. Em 1765, registros falam de uma antepassada que cozinhava para camponeses. Outros parentes trabalharam como cozinheiros, mas o primeiro a abrir um restaurante com o nome Bocuse foi seu trisavô, Nicolas, em 1840. O negócio durou até Joseph e Marie Bocuse, seus avós. Apesar do sucesso, Joseph não soube lidar com o furor causado por ver sua esposa entre os homens e, numa crise de ciúmes, fechou o estabelecimento. Aos 16 anos, Paul Bocuse começou seu aprendizado com Claude Maret, no restaurante La Soierie, em Lyon. Era 1942 e, em plena guerra, o jovem aprendeu a visitar mercados e até mesmo negociar no mercado negro.

De volta a Lyon, retoma seu aprendizado com a legendária mère Eugénie Brazier, detentora de 3 estrelas Michelin em 1933 e proprietária do bouchon homônimo. Ali, além de trabalhar na cozinha, cuidava da horta, das vacas, entre outros. Paris viria em seguida. Na Cidade-Luz, Bocuse trabalhou no prestigioso Lucas Carton sob o comando do chef Gaston Richard.

As primeiras honrarias viriam em 1961, quando ganhou o concurso Meilleur Ouvrier de France e obteve sua primeira estrela Michelin. No ano seguinte, ele transforma o simples restaurante do pai, em sua cidade natal, e consegue mais uma das cobiçadas estrelas do guia. A consagração vem em 1965 com a chegada da terceira e máxima estrela. Nessa mesma época, o já venerado chef recupera o nome Bocuse que ainda pertencia ao restaurante vendido por seu avô e batiza seu negócio com de L’Auberge de Collonges "Paul Bocuse".

Como todo homem bem sucedido, Bocuse também conta com críticos ao seu trabalho. Mas o chef rebate: "Minhas três estrelas não vêm de meus ‘serviços prestados à gastronomia’, como dizem por aí. Mas sim ples mente porque a comida é boa. Muito boa". O número três parece ser freqüente na vida de Bocuse. Além das estrelas, o chef conseguiu manter um relacionamento com três mulhe res ao mesmo tempo, e com sucesso.

Bocuse continua seu trabalho junto do galo que tatuou nas costas. Uma lembrança de seu compromisso com a França. Para saber mais: www.bocuse.fr

Nenhum comentário: